Uma cidade inteligente se faz com dados


Nas últimas décadas, com o avanço da tecnologia da informação, gestores públicos, pesquisadores, arquitetos e outros profissionais perceberam que o uso de dados pode ser ferramenta importante para o esforço de transformação das cidades.

Na prática, o movimento faz parte da rotina humana de trabalhar dia a dia em busca de soluções que satisfaçam seus desejos elementares de segurança, comodidade e conforto. A aplicação da inteligência dos dados às cidades foi traduzida no conceito de smart cities, que são aglomerados urbanos mais inteligentes do que aqueles que os precederam.

Uma cidade é considerada uma smart city a partir da avaliação de dez dimensões diferentes, sendo as três principais: Internet das Coisas (objetos com capacidades infocomunicacionais avançadas), Big Data (processamento e análise de grandes quantidades de informação) e Governança Algorítmica (gestão e planejamento com base em ações construídas por algoritmos aplicados à vida urbana). O maior objetivo é criar condições de sustentabilidade, melhoria das condições de existência das populações e fomentar a criação de uma economia criativa pela gestão baseada em análise de dados.

Desta forma, mesmo quem desconhece o assunto colhe benefícios quando há avanços em alguma dessas frentes. Quando reside em uma área que abriga serviços básicos e opções variadas de comércio, por exemplo, o indivíduo resolve inúmeros problemas sem grandes deslocamentos e sente-se recompensado por usar melhor seu tempo. E isso acontece mesmo que ele não saiba que a ocupação da área onde mora foi planejada.


Entenda a classificação de cidades inteligentes

BWSmartcities

A partir das diferentes mudanças entre as cidades, foram criadas quatro nomenclaturas para definir os estágios de cada cidade. Sendo classificadas a partir da relação ao nível de tecnologia adotada e da abrangência de cada cidade.

Conheça as quatro nomenclaturas e suas diferenças:

  • Digital City (ou ainda digital community, information city ou e-city): refere-se a uma comunidade conectada que combina infraestrutura de comunicações de banda larga, uma infraestrutura flexível de computação orientada a serviços com base em padrões abertos e serviços inovadores que atendam às necessidades dos governos e seus funcionários, cidadãos e empresas.
  • Intelligent City: aqui, as cidades são definidas como territórios que trazem sistemas de inovação e TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) dentro da mesma localidade, combinam a criatividade de indivíduos talentosos que compõem a população da cidade, instituições que melhoram a aprendizagem e espaços de inovação, geralmente virtuais que facilitam a gestão do conhecimento. A combinação de criatividade das pessoas envolve a estratégia de inteligência coletiva, onde as tendências são identificadas e padronizadas, utilizando as experiências das pessoas de forma a colaborar coletivamente.
  • Smart City ou Cidade Inteligente, o uso de TICs visa tornar os componentes de infraestrutura e serviços essenciais de uma cidade mais inteligente, interligado e eficiente. Este conceito já foi implementado em algumas cidades, tais como Brisbane, Malta, Dubai e Kochi. Um dos principais objetivos destas cidades é melhorar a qualidade de vida das pessoas de acordo com diferentes pontos de vista como por exemplo, o nível de acesso às informações, consulta aos recursos relevantes disponíveis, bem como o estado atual de tais recursos.
  • Ubiquitous City, neste cenário, ainda em menor escala, a cidade está totalmente equipada com redes através das quais as autoridades da cidade podem monitorar o que está acontecendo na cidade, como por exemplo o monitoramento do trânsito, a prevenção da criminalidade e prevenção de incêndio. O usuário pode acessar qualquer serviço da rede independentemente do lugar que se encontre, embora a sua posição seja relevante. Além de sistemas distintos compartilharem as mesmas informações, o número de dispositivos é significativamente maior do que nas outras classificações. No entanto, existe certa dualidade entre especialistas e usuários em relação ao seu uso. Enquanto uma parte defende a ideia, outra parte levanta questionamentos em relação à possível invasão da privacidade dos usuários além de tornarem vulneráveis sistemas relativamente restritos.



Cidades Inteligentes pelo mundo

A construção de uma cidade inteligente é um trabalho nunca concluído. Líder em levantamentos sobre smart cities em todo o mundo, Nova Iorque destaca-se graças ao ótimo desempenho em dimensões como a economia, o planejamento urbano, o alcance internacional, o capital humano, a mobilidade e o transporte. Apesar disso, para avançar em outras frentes, o governo local implantou um programa para estimular a troca da iluminação incandescente e fluorescente em prédios. O uso do LED diminuiu o consumo e o desperdício.

Outro exemplo é uma cidade na China, chamada Yuelai Eco-City. Lá, onde viviam 4,5 milhões de pessoas, os terminais de metrô foram distribuídos de tal forma que toda a população pudesse ir ao trabalho caminhando ou com transporte coletivo. Também foram criados espaços verdes e ruas fechadas para carros e houve estímulo a abertura de lojas que atendam localmente às necessidades dos moradores. A região, antes nada amigável para pedestres e com inúmeros problemas de mobilidade, hoje é um case de sucesso e modelo para outras cidades da China.

Yuelai Eco-City, na China

No Brasil, percebemos que tem crescido a procura por entender os conceitos de smart cities e como aplicá-los em diferentes regiões. Mais do que uma cidade bonita e planejada, uma Smart City deve ter seu foco nas pessoas. Melhorar a forma como elas se relacionam em seus ambientes, como é possível aproveitar os resíduos ou aumentar a segurança a partir de ações preventivas devem ser objetivos principais para qualquer pessoa, empresa ou entidade envolvida em transformar cidades em mais inteligentes.

O uso de dados permite a criação de soluções inovadoras que vão desde melhorias na gestão da energia, água e resíduos, passando por segurança pública e mobilidade. Isso é qualidade de vida.



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